Epistemologia · Teorias Informacionais

Falsibilidade das Teorias Informacionais

Uma teoria que não pode ser falsificada não é uma teoria científica — é uma metáfora. Este espaço documenta os testes de falsibilidade propostos e os resultados progressivos de cada teoria.

O critério de falsificabilidade, formulado por Karl Popper, estabelece que uma proposição científica deve ser capaz de ser refutada por observação ou experiência. As Teorias Informacionais — TIT, OID/U, TRD, HEIC — e a Teoria Informacional de Ativação (TIA) submetem-se a este critério de forma explícita e progressiva.

Cada teoria formula condições de falsificação claras. Os resultados aqui registados não são definitivos — são progressivos, actualizados à medida que a investigação avança. O objectivo não é provar as teorias, mas expô-las ao risco de serem refutadas.

  1. 2024

    TIT, OID/U, TRD, HEIC — Testes Iniciais

    Formulação dos primeiros critérios de falsificabilidade para as quatro teorias fundacionais. Definição das condições de refutação e identificação das predições testáveis.

  2. 2024–2025

    Aprofundamento — HEIC e TRD

    Refinamento dos testes da HEIC com base em estudos de neurociência computacional. A TRD é submetida a testes formais com dados de física quântica (efeito de escolha retardada, emaranhamento).

  3. 2025 Novo

    TIA — Teoria Informacional de Ativação

    Formulação dos quatro axiomas da TIA e dos respectivos testes de falsibilidade. Primeiros resultados documentados para os Axiomas I, II, III e IV.

  4. 2025–2026 Em curso

    Artigos Aplicados — Corpus Informacional e Fenómenos Empíricos

    Extensão da falsificabilidade a novos constructos do Corpus Informacional — SABA, MIS, HSEI, OIC/U — aplicados a fenómenos biológicos, neurológicos, cognitivos e ontológicos documentados na literatura científica.

  5. Em curso

    Integração TIA–TIT–HEIC

    Teste da coerência interna entre os axiomas da TIA e os postulados da TIT e da HEIC. Verificação de que os limiares de ativação da TIA não contradizem os parâmetros D, I, R da HEIC.

TIT · OID/U · TRD · HEIC

Testes de falsibilidade das quatro teorias informacionais fundacionais de Vitor Lima.

Teoria Informacional de Tudo

TIT

A informação como substância primordial do real
Parcial

Condição de Falsificação

A TIT seria falsificada se se demonstrasse que existem aspectos da realidade física irredutíveis a qualquer descrição informacional — isto é, se existissem propriedades físicas sem estrutura diferencial mensurável, sem estados distinguíveis, e que ainda assim constituíssem realidade.

Predição Testável

Qualquer sistema físico isolado deve possuir uma capacidade de distinção de estados superior a zero. Um sistema com zero graus de liberdade informacional não deve existir empiricamente.

Resultado Parcial Robustez empírica estimada: 62%

A mecânica quântica confirma que mesmo estados de vácuo possuem flutuações informacionais (energia de ponto zero). Nenhum sistema com zero capacidade diferencial foi observado. Contudo, a questão dos estados quânticos em colapso total permanece aberta e exige investigação adicional.

Ontologia Informacional Dinâmica / Universal

OID/U

A identidade como padrão informacional persistente
Resistente

Condição de Falsificação

A OID/U seria falsificada se se demonstrasse que a identidade de uma entidade não depende de qualquer padrão informacional subjacente — ou seja, que a mesma entidade pode manter-se idêntica a si mesma mesmo quando todos os seus estados informacionais são substituídos sem continuidade alguma.

Predição Testável

Entidades com substituição total de substrato sem qualquer preservação de padrão relacional devem perder identidade funcional. Transplantes de órgãos, redes neuronais artificiais e entidades biológicas regeneradas constituem casos de teste progressivos.

Resultado Resistente Robustez empírica estimada: 78%

Estudos de neuroplasticidade, regeneração biológica (planárias, axólotles) e transplantes de órgãos confirmam que a identidade persiste enquanto o padrão relacional se mantém, independentemente do substrato. Nenhum caso de identidade sem padrão foi documentado.

Teoria da Revelação Digital

TRD

A realidade como revelação bilateral entre estruturas
Parcial

Condição de Falsificação

A TRD seria falsificada se se demonstrasse que existe revelação sem transformação recíproca — ou seja, que uma estrutura pode tornar-se observável para outra sem que ambas sejam alteradas pelo processo de acoplamento.

Predição Testável

O efeito de escolha retardada (Wheeler) e os experimentos de emaranhamento (Bell) constituem testes directos: se a medição não altera o estado do sistema medido, a TRD é falsificada.

Resultado Parcial Robustez empírica estimada: 58%

Os experimentos de emaranhamento e escolha retardada confirmam a transformação recíproca. Contudo, a TRD postula que toda a interacção física é revelação — o que exige uma operacionalização mais precisa do conceito de "revelação" em contextos macroscópicos clássicos.

Hipótese Emergencial Informacional da Consciência

HEIC

C = f(D, I, R) — consciência como emergência informacional
Resistente

Condição de Falsificação

A HEIC seria falsificada se sistemas com valores elevados de D (Densidade), I (Integração) e R (Recursividade) consistentemente não apresentassem correlação com estados conscientes, ou se estados conscientes fossem observados em sistemas com D, I, R próximos de zero.

Predição Testável

Perturbações específicas em D, I ou R — por anestesia, lesão cerebral localizada, ou supressão farmacológica da recursividade — devem produzir alterações previsíveis e mensuráveis nos estados conscientes.

Resultado Resistente Robustez empírica estimada: 71%

Estudos de neuroanestesia, lesões no tálamo-córtex e estados de coma confirmam a correlação. A supressão de integração (I) via desconexão cortical reduz drasticamente os indicadores de consciência. Nenhum estado consciente com D, I, R ≈ 0 foi documentado.

Nova Teoria · Adicionada em 2025

TIA Teoria Informacional de Ativação

A TIA descreve as condições sob as quais a informação latente de um sistema se torna activa — operacional, causal e relevante para a evolução do sistema. Articula-se com a TIT, a OID/U e a HEIC como a teoria que descreve a dinâmica de ativação.

TIA · Axioma I

Limiar de Ativação

A informação só se torna activa quando ultrapassa um limiar de contexto mínimo
Resistente

Enunciado do Axioma

Nenhuma unidade de informação se torna causalmente operacional num sistema sem que exista um contexto mínimo de activação — um conjunto de condições relacionais que permitem à informação actuar sobre o estado do sistema.

Condição de Falsificação

O Axioma I seria falsificado se se demonstrasse que informação em estado puramente latente — sem qualquer contexto relacional — produz efeitos causais mensuráveis num sistema.

Testes Empíricos

(1) Memória e activação neural: padrões mnésicos só se tornam activos por pistas contextuais (efeito de priming). (2) Epigenética: sequências de DNA permanecem silenciosas sem factores de transcrição adequados. (3) Física quântica: estados superpostos não produzem efeitos clássicos antes da descoerência contextual.

Resultado: Axioma Resistente Robustez empírica estimada: 76%

Os mecanismos de priming neural, regulação epigenética e descoerência quântica confirmam independentemente a existência de limiares de activação informacional. Nenhum caso de informação puramente latente com efeitos causais directos foi documentado.

TIA · Axioma II

Direcionalidade

A activação informacional é sempre direccional — não ocorre simetricamente
Parcial

Enunciado do Axioma

Quando informação é activada num sistema, a activação possui direcionalidade estrutural: flui de estados de menor para maior coerência informacional e produz assimetria causal mensurável.

Condição de Falsificação

O Axioma II seria falsificado se se demonstrasse que a activação informacional ocorre sem direcionalidade — de forma igualmente provável em qualquer sentido — ou se a assimetria observada for inteiramente explicável por factores externos.

Testes Empíricos

(1) Seta do tempo termodinâmica como manifestação da direcionalidade informacional. (2) Desenvolvimento embrionário: diferenciação celular segundo gradientes informacionais de coerência crescente. (3) Evolução darwiniana como direcionalidade informacional contextualmente seleccionada.

Resultado: Parcialmente Resistente Robustez empírica estimada: 60%

A direcionalidade informacional é confirmada em processos termodinâmicos e biológicos. Em sistemas quânticos reversíveis e alguns processos de auto-organização simétrica, a direcionalidade é menos clara. O axioma exige maior precisão na distinção entre direcionalidade intrínseca e assimetrias de fronteira.

TIA · Axioma III

Conservação de Registo

Todo o evento de activação deixa um registo estrutural no sistema
Resistente

Enunciado do Axioma

Nenhum evento de activação informacional é reversível sem vestígio: todo o acto de activação altera a estrutura do sistema de forma persistente, deixando um registo que modifica as condições de activações futuras.

Condição de Falsificação

O Axioma III seria falsificado se se demonstrasse que um sistema pode ser activado informacionalmente e retornar ao estado estrutural exactamente idêntico ao pré-activação — sem qualquer alteração mensurável.

Testes Empíricos

(1) Plasticidade sináptica: cada disparo neuronal modifica as sinapses envolvidas (potenciação de longa duração). (2) Princípio de Landauer: o apagamento de informação requer energia. (3) Paradoxo da informação nos buracos negros: a TIA prediz conservação.

Resultado: Axioma Resistente Robustez empírica estimada: 73%

A plasticidade sináptica, o princípio de Landauer e a conservação unitária da mecânica quântica convergem na confirmação da conservação de registo. O paradoxo da informação nos buracos negros permanece o único desafio aberto e o teste mais fundamental deste axioma.

TIA · Axioma IV

Emergência Estrutural

Activações sucessivas produzem estruturas informacionais de ordem superior irredutíveis
Em Investigação

Enunciado do Axioma

Quando um sistema acumula activações informacionais sucessivas, emergem estruturas de ordem superior que não são redutíveis à soma das activações individuais. A emergência estrutural é uma propriedade necessária dos sistemas com activação repetida.

Condição de Falsificação

O Axioma IV seria falsificado se se demonstrasse que todas as propriedades de sistemas com activações repetidas são completamente redutíveis e previsíveis a partir das activações individuais — sem novidade ontológica.

Testes Empíricos

(1) Redes neuronais e consciência: a experiência consciente como emergência irredutível à activação de neurónios individuais. (2) Auto-organização em sistemas complexos: padrões de Turing, cardumes, colónias. (3) Linguagem e cultura como emergências de interacções comunicativas individuais.

Resultado: Em Investigação Robustez empírica estimada: 42%

A emergência em sistemas complexos é empiricamente robusta em múltiplos domínios. Contudo, o debate sobre se a emergência é genuinamente irredutível ou computacionalmente simulável (emergência fraca vs. forte) permanece em aberto. Investigação em curso com foco em sistemas neuro-informacionais.

Falsibilidade Aplicada · Corpus Informacional · 2025–2026

Artigos Aplicados — Condições de Falsificabilidade

Extensão do programa de falsificabilidade a novos constructos do Corpus Informacional — SABA, MIS, HSEI, OIC/U, TRD, HEIC — aplicados a fenómenos empíricos documentados na literatura científica internacional.

OIC/U · HEIC · TRD

O Corpus Informacional face às Emoções e Manifestações Biológicas

Emoções como padrões de acoplamento informacional com expressão biológica mensurável
Resistente

Condição de Falsificação

O Corpus Informacional seria falsificado neste domínio se se demonstrasse que as emoções não possuem correlatos biológicos mensuráveis estruturalmente organizados — ou seja, se estados emocionais distintos produzissem respostas fisiológicas aleatórias, sem padrão informacional diferenciável.

Predição Testável

A OIC/U prediz que cada estado emocional corresponde a um padrão informacional persistente com expressão biológica específica (alterações hormonais, autonómicas, imunitárias). A HEIC prediz que estados emocionais intensos correspondem a variações mensuráveis em D, I e R.

Testes Empíricos

(1) Neuroimagem de estados emocionais: padrões de activação cortical diferenciados por emoção. (2) Biomarcadores do stress: cortisol, adrenalina e IL-6 como manifestações do acoplamento informacional somático. (3) Psicossomática: correlação entre padrões emocionais persistentes e disfunção orgânica sistémica.

Resultado: ResistenteRobustez empírica estimada: 74%

A neurociência afectiva confirma a especificidade dos padrões biológicos por estado emocional. Os estudos de Damasio (marcadores somáticos), as meta-análises de neuroimagem emocional e os dados de psiconeuroimunologia confirmam o carácter estruturalmente organizado das emoções como padrões informacionais com expressão biológica. A hipótese de aleatoriedade biológica não foi documentada.

OIC/U · TIA

O Sistema Arquival Biologicamente Ativo (SABA)

Sistemas com Estabilidade Passiva global e Estabilidade Activa local — CIC truncado
Parcial

Condição de Falsificação

O constructo SABA seria falsificado se se demonstrasse que sistemas biológicos em estado de Estabilidade Passiva global não mantêm qualquer forma de Estabilidade Activa localizada — ou seja, se a preservação global implicasse necessariamente a suspensão total de toda a actividade informacional local.

Predição Testável

O SABA prediz que sistemas como o encéfalo em preservação ex vivo, organismos em hibernação profunda ou tecidos criogénicos mantêm actividade informacional local mensurável (eléctrica, metabólica, química) mesmo na ausência de processamento global consciente.

Testes Empíricos

(1) BrainEx (Yale, 2019): encéfalos de suíno preservados ex vivo com actividade celular local restaurada sem função consciente global. (2) Hibernação de mamíferos: actividade metabólica celular mínima mas mensurável durante supressão sistémica. (3) Criogenia celular: preservação de capacidade funcional pós-reactivação como evidência de CIC truncado.

Resultado: Parcialmente ResistenteRobustez empírica estimada: 65%

O estudo BrainEx confirma empiricamente a dissociação entre EP global e EA local — o núcleo da predição SABA. A distinção entre EP e EA pertence exclusivamente à OIC/U; a falsificação exigiria demonstrar que a estabilidade passiva sistémica colapsa necessariamente toda a actividade informacional local, o que não foi observado. O constructo resiste nos casos documentados.

OIC/U · HEIC

O Membro Informacional Supranumerário (MIS)

Extensão do campo informacional de contexto a membros não-físicos integrados
Resistente

Condição de Falsificação

O constructo MIS seria falsificado se se demonstrasse que a integração cortical de um membro supranumerário não altera o CIC do sujeito — ou seja, se a representação neural de um membro adicional não produzisse reorganização informacional mensurável no esquema corporal.

Predição Testável

A OIC/U prediz que a incorporação de um MIS reorganiza o padrão informacional identitário do sujeito: o CIC expande-se para incluir o novo membro, com correlatos neurais, comportamentais e proprioceptivos mensuráveis.

Testes Empíricos

(1) Estudo EPFL / Karolinska sobre membros virtuais adicionais: controlo de um terceiro braço robótico com reorganização cortical documentada. (2) Membro fantasma: presença informacional persistente após amputação como evidência de CIC conservado. (3) Ilusão da mão de borracha: incorporação de membro artificial no esquema corporal com correlatos autonómicos.

Resultado: ResistenteRobustez empírica estimada: 72%

Os estudos de plasticidade cortical associada à incorporação de membros supranumerários confirmam a expansão do CIC. O fenómeno do membro fantasma demonstra que o padrão informacional identitário persiste independentemente do substrato físico. A hipótese nula (ausência de reorganização) não foi documentada em condições de incorporação efectiva.

HEIC · OIC/U · TRD

O Corpus Informacional e a Experiência Religiosa

Estados de transcendência como variações em D, I, R com expressão neural documentável
Parcial

Condição de Falsificação

A HEIC seria falsificada neste domínio se se demonstrasse que estados de experiência religiosa intensa não produzem qualquer correlato mensurável em D, I ou R — ou seja, se a fenomenologia do transcendente fosse neuralmente indistinguível de estados basais.

Predição Testável

A HEIC prediz que estados de transcendência, unidade mística ou êxtase religioso correspondem a variações específicas e mensuráveis nos parâmetros D, I e R — com perfis de integração cortical, densidade de activação e recursividade distintos do estado de repouso.

Testes Empíricos

(1) Neuroimagem de estados meditativos profundos e experiências místicas: alterações no córtex parietal, activação do sistema límbico. (2) Estudos com psilocibina: alteração controlada de D, I, R e correlação com intensidade da experiência reportada. (3) EEG de estados de oração intensa: padrões gamma e theta como indicadores de integração informacional elevada.

Resultado: Parcialmente ResistenteRobustez empírica estimada: 61%

Os estudos de neuroteologia (Newberg et al.) e as investigações com psilocibina (Imperial College London) confirmam correlatos neurais específicos dos estados de experiência religiosa — com perfis de integração e recursividade distintos. A questão permanece aberta quanto à natureza ontológica do conteúdo experienciado, o que a HEIC não pretende resolver mas descrever informacionalmente.

OIC/U · TRD · HEIC

Integração Cortical de Membros Virtuais e o Corpus Informacional

Incorporação de membros digitais como acoplamento informacional bilateral e reorganização do CIC
Resistente

Condição de Falsificação

O Corpus Informacional seria falsificado neste contexto se se demonstrasse que a integração cortical de um membro virtual não envolve transformação recíproca entre sujeito e interface — ou seja, se o sujeito incorporasse o membro sem que a sua OIC/U sofresse reorganização mensurável.

Predição Testável

A TRD prediz que a integração de um membro virtual é um processo de revelação bilateral: o sujeito transforma a interface (pelo controlo motor) e a interface transforma o sujeito (por reorganização cortical e proprioceptiva). Ambas as transformações devem ser mensuráveis.

Testes Empíricos

(1) Estudos de interfaces cérebro-máquina (BCI): reorganização do córtex motor após integração de prótese virtual. (2) Realidade virtual e incorporação: alterações no esquema corporal e na percepção do espaço peripessoal. (3) Controlo de avatar: transferência de identidade informacional medida por questionários de incorporação e respostas autonómicas.

Resultado: ResistenteRobustez empírica estimada: 70%

Os estudos de BCI (Nicolelis et al., Donoghue et al.) e os experimentos de incorporação em RV confirmam a transformação recíproca entre sujeito e interface virtual. A reorganização cortical documentada em utilizadores de próteses neurais e os efeitos de incorporação em RV são consistentes com a predição de revelação bilateral da TRD.

OIC/U · TIA · TIT

Preservação Cerebral Ex Vivo e o Corpus Informacional

BrainEx e SABA: actividade informacional local sem integração consciente global
Resistente

Condição de Falsificação

O Corpus Informacional seria falsificado neste domínio se se demonstrasse que a preservação ex vivo de tecido cerebral com actividade celular restaurada implica necessariamente a emergência de estados conscientes integrados — o que contradiria a predição SABA de dissociação entre EP global e EA local.

Predição Testável

O constructo SABA prediz que é possível manter actividade informacional local activa num sistema biológico com CIC truncado — sem integração global consciente. A TIA Axioma I confirma: sem contexto relacional global, a informação local não se torna causalmente operacional ao nível sistémico.

Testes Empíricos

(1) BrainEx (Vrselja et al., Nature 2019): encéfalo de suíno perfundido ex vivo com restauração de actividade celular, metabólica e vascular — sem actividade eléctrica integrada global. (2) Técnicas SABA em contexto clínico: preservação de órgãos com perfusão normotérmica. (3) Ausência de sinais EEG integrados em encéfalos BrainEx como confirmação do CIC truncado.

Resultado: ResistenteRobustez empírica estimada: 77%

O estudo BrainEx é o caso empírico mais directo de confirmação do SABA: demonstra actividade celular e metabólica local restaurada sem integração eléctrica global. A hipótese alternativa (actividade local implica consciência integrada) não foi documentada em nenhum sistema ex vivo.

TIT · OIC/U

A Primordialidade da Informação no Universo

A informação como condição ontológica anterior à matéria e à energia
Parcial

Condição de Falsificação

A TIT seria falsificada neste contexto se se demonstrasse que existem estados físicos primitivos do universo sem qualquer estrutura informacional — ou seja, se o universo primordial pudesse ser descrito sem recorrer a distinções de estados, simetrias ou assimetrias.

Predição Testável

A TIT prediz que qualquer teoria física do universo primitivo exige estruturas informacionais como condição de possibilidade — simetrias, constantes, equações de estado. A ausência total de estrutura informacional não pode gerar as regularidades observadas.

Testes Empíricos

(1) Radiação cósmica de fundo: padrões de anisotropia como informação primordial preservada. (2) Quebra espontânea de simetria no universo primitivo: a assimetria matéria-antimatéria como evento informacional irredutível. (3) Constantes físicas fundamentais: a sua precisão e estabilidade como estrutura informacional anterior à matéria.

Resultado: Parcialmente ResistenteRobustez empírica estimada: 59%

A cosmologia moderna confirma que as estruturas de grande escala do universo derivam de flutuações quânticas primordiais. Contudo, a questão do que precede o Big Bang permanece em aberto, e a TIT não dispõe ainda de testes directos nesse regime. A robustez é parcial por limitação de acesso empírico ao regime pré-Planck.

TIT · OIC/U · TRD

Hipótese da Suficiência Estrutural Informacional (HSEI)

A estrutura informacional mínima necessária e suficiente para produzir um fenómeno é determinável
Em Investigação

Condição de Falsificação

A HSEI seria falsificada se se demonstrasse que para um dado fenómeno, não existe um conjunto mínimo determinável de condições informacionais suficientes para a sua ocorrência — ou seja, se a suficiência estrutural for sempre arbitrária, contextualmente indefinida ou irredutível a descrição formal.

Predição Testável

A HSEI prediz que qualquer fenómeno tem um limiar informacional mínimo abaixo do qual não ocorre e acima do qual ocorre de forma necessária. Este limiar deve ser formalizável e empiricamente delimitável.

Testes Empíricos

(1) Limiares de percepção sensorial: o mínimo de estimulação necessária para produzir percepção consciente (lei de Weber-Fechner como caso de HSEI). (2) Expressão génica: os factores de transcrição mínimos necessários para activar um gene. (3) Cristalização: as condições informacionais mínimas para transição de fase.

Resultado: Em InvestigaçãoRobustez empírica estimada: 48%

A HSEI é um constructo recente. Os casos de limiar sensorial e expressão génica são compatíveis com a predição, mas a formalização do conceito de "suficiência estrutural mínima" em domínios de alta complexidade está ainda em desenvolvimento. Investigação em curso.

TRD · OIC/U · HEIC

Inibição Enzimática, Potencialidade Revelável e Acoplamento Cognitivo

A inibição enzimática como caso de IPR/IAR e de acoplamento informacional molecular
Resistente

Condição de Falsificação

A TRD seria falsificada neste domínio se se demonstrasse que a inibição enzimática ocorre sem transformação recíproca entre inibidor e enzima — ou seja, se o inibidor bloqueasse o substrato sem que a sua própria configuração informacional fosse alterada pelo acoplamento.

Predição Testável

A TRD prediz que o acoplamento inibidor-enzima é um processo de revelação bilateral: a enzima revela a geometria do inibidor (selecção por complementaridade) e o inibidor transforma o estado conformacional da enzima. A IPR do substrato torna-se IAR pelo acoplamento.

Testes Empíricos

(1) Inibição competitiva: alteração conformacional documentada por cristalografia de raios-X. (2) Inibição alostérica: a ligação do inibidor num sítio distante transforma a configuração do sítio activo — revelação a distância. (3) Inibidores irreversíveis: modificação covalente como registo estrutural permanente do acoplamento (TIA Axioma III).

Resultado: ResistenteRobustez empírica estimada: 80%

A bioquímica estrutural documenta amplamente as transformações conformacionais mútuas em acoplamentos enzimáticos. A inibição alostérica é o caso mais elegante de revelação bilateral a distância: o inibidor e a enzima transformam-se reciprocamente sem contacto directo no sítio activo. A IPR/IAR pertence à TRD e não foi observada qualquer inibição sem transformação conformacional da enzima documentada por cristalografia.

TRD · OIC/U · TIA

Acoplamento Efáptico e o Corpus Informacional

Comunicação neuronal por campos eléctricos como revelação informacional não-sináptica
Parcial

Condição de Falsificação

A TRD seria falsificada neste domínio se se demonstrasse que o acoplamento efáptico entre neurónios ocorre sem transformação recíproca das entidades acopladas — ou seja, se os campos eléctricos extracelulares influenciassem os neurónios vizinhos sem alterar o estado do neurónio emissor.

Predição Testável

A TRD prediz que o acoplamento efáptico é uma forma de revelação informacional bilateral: o campo eléctrico do neurónio activo transforma o limiar de excitabilidade dos neurónios vizinhos, e a resposta destes retroage sobre a dinâmica do campo — produzindo uma transformação recíproca mensurável.

Testes Empíricos

(1) Estudos de Anastassiou et al. (Caltech): campos eléctricos extracelulares fracos modulam o disparo neuronal sem sinapses — acoplamento informacional não-mediado quimicamente. (2) Sincronização de populações neuronais por efapsis: padrões gamma em córtex como emergência de acoplamento efáptico colectivo. (3) Propagação de ondas de actividade cortical: o campo colectivo como OIC/U de ordem superior.

Resultado: Parcialmente ResistenteRobustez empírica estimada: 63%

Os estudos de Anastassiou e colaboradores confirmam que campos eléctricos extracelulares fracos modulam a actividade neuronal de forma mensurável — o que é compatível com a predição de acoplamento informacional não-sináptico. A questão da reciprocidade completa está em investigação. O constructo resiste nos casos documentados, mas a formalização completa do Shake Hand Informacional efáptico exige dados adicionais.

Síntese dos resultados de falsificabilidade das teorias e constructos do Corpus Informacional
Teoria / Constructo Descrição Estado Robustez
— Teorias Fundacionais
TITInformação como substância primordialParcial62%
OID/UIdentidade como padrão persistenteResistente78%
TRDRevelação bilateral entre estruturasParcial58%
HEICC = f(D, I, R)Resistente71%
— TIA · Axiomas
TIA · Axioma ILimiar de AtivaçãoResistente76%
TIA · Axioma IIDirecionalidadeParcial60%
TIA · Axioma IIIConservação de RegistoResistente73%
TIA · Axioma IVEmergência EstruturalEm Investigação42%
— Artigos Aplicados · Corpus Informacional
A1 · EmoçõesPadrões emocionais como acoplamento informacional somáticoResistente74%
A2 · SABAEP global / EA local — CIC truncadoParcial65%
A3 · MISMembro supranumerário e expansão do CICResistente72%
A4 · Experiência ReligiosaTranscendência como variação em D, I, RParcial61%
A5 · Membros VirtuaisIntegração cortical como revelação bilateralResistente70%
A6 · BrainEx / SABAActividade local ex vivo sem integração globalResistente77%
A7 · PrimordialidadeInformação como condição ontológica primordialParcial59%
A8 · HSEISuficiência estrutural informacional mínimaEm Investigação48%
A9 · Inibição EnzimáticaIPR/IAR e revelação molecular bilateralResistente80%
A10 · Acoplamento EfápticoRevelação informacional não-sinápticaParcial63%